segunda-feira, 13 de abril de 2026

Como se fossem brisas

Num trajeto normal do meu cotidiano, sem qualquer intenção, compartilhei recortes de vida.

Sentada ao meu lado, observei que havia uma senhora, de sessenta e seis anos, que me olhava de soslaio. Num certo momento, começa a me contar sobre a perda e clausura de uma amiga pela morte do marido. Fala do sofrimento e recuperação da amiga, após uma sessão espírita, na qual o marido lhe deixara uma mensagem: estava bem e desejava que ela jogasse ao mar suas cinzas, desfizesse-se de seus pertences e seguisse a sua vida. Num impulso, desejo perguntar – lhe por que me conta essas histórias. Mas, calo-me.

Percebo seu contentamento ao relatar que a encontrara ótima. Mudou de residência, afastou – se da dependência dos filhos.

Hoje, tem amigas, faz ginástica e sai para dançar. Entrelaçando – se ao relato, revela que vai fazer o mesmo em relação a sua mãe. 

Vai dar os seus pertences, guardar os seus retratos. Levanta – se para saltar, ainda, referindo – se a certos compromissos que tinha que resolver para o pai.

Na sua saída, um senhor, de mais de setenta anos, pede licença para  sentar – se. Desculpa – se por me incomodar, mas diz "que vale a pena pelo prazer de sentar-se ao lado de tão simpática companhia",

Olho – o e vejo seu largo sorriso. Mal agradeço a sua gentileza, começa  a falar do seu atribulado dia. Tinha ido ao Rio resolver alguns problemas  e nada conseguira, mas que não ia deixar de sorrir por esse fato.

Percebo seu desejo de entabular uma conversa, respondo rapidamente sua pergunta sobre meu local de residência, mas despeço – me por ter chegado ao meu rumo.

Acabara a viagem e ficaram – me as imagens dessas pessoas: dois idosos: uma mulher e um homem que tiraram – me da rotina do percurso. Trouxeram–me para suas vidas e arejaram com suas histórias o meu enredo matutino.

Norma Emiliano

Um comentário:

  1. É bem assim mesmo,Norma!
    As pessoas passam por nossos dias e vidas como se brisas fossem... Comigo acontece algo estranho...Parece que onde chego, encontro alguém que precisa desafabar ou apenas ser ouvido. `Pe lindo de ver! E nada nos custa servir assim, faz bem!
    Ainda ontem li um relato onde um motorista de aplicativo estava há 23 dias sem que ninguém lhe dirigisse a palavra. Considerava-se motorista invisível e estava triste! Coisas da vida! beijos, chica

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