Poetando
Namoro oculto
Norma Emiliano
Poetando
Namoro oculto
Norma Emiliano
"a transição da vida adulta para a velhice: um Termo cunhado por Manoel Tosta Berlinck
Em 2015, foi lançado o documentário Envelhecência - Um novo olhar sobre o envelhecimento, sob a direção
de Gabriel Martinez. È um relato da história de seis pessoas que vivem de forma
plena que mostram através das suas experiências que se pode viver após os 60
com muitas atividades e com humor.
Em “A Velhice” (1970), Simone
de Beauvoir aponta que os idosos podem viver esse período com autonomia,
liberdade e sentido, desde que o mundo os reconheça como sujeito ativo, o que
exige uma transformação radical em toda a estrutura social.
Por outro lado, os
estereótipos em relação à velhice (apatia, implicância, tristeza, entre outros)
comprometem a qualidade de vida.
O filme Chega de saudade, (2008)
de Laís Bodanzky, traz como contexto o baile da terceira idade. Aborda o amor,
a solidão, a traição e o desejo que envolvem a vida do ser humano e deixa como
mensagem a importância do viver o aqui e agora, do abandono dos fantasmas do
passado e do seguir dançando conforme a música. Aceitar-se e reconhecer
habilidades e limitações, independentemente da idade.
Estou nesta fase, aos 77 anos.
Sou grata à vida, mas não há como considerar como a melhor idade, pois
reconheço as limitações que vão chegando e procurando me adaptar física e
emocionalmente.
Considero, como Adélia Prado, que "A poesia é a revelação do real.
Experimentar a poesia é experimentar o real, o que de fato é. Ela é desveladora
da realidade, ela permite a você a desmistificação da vida."
Assim, finalizo este texto, que considero reflexivo, com a poesia recém criada
por mim.
Desapego
Fonte
Arte Poética
"Todo o poeta, todo o artista é artesão de uma linguagem. {...}O
artesanato das artes poéticas nasce da própria poesia a qual está
consubstancialmente unido. {...}E no quadro sensível do poema vejo para onde
vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida".
Bússola da vida
Sou como rio
Fluo pela vida
transponho as pedras
E tenho as margens
Como companheiras.
Os chamados meu norte
As interações, gestos amorosos e
a natureza nutrem meu corpo e alma.
Transcendendo a poética do viver.
Norma Emiliano
Quando me revisito encontro lugares que me confortam e me
colocam no prumo do tempo. Vida longa, possibilidade de percorrer mais
estradas, vasculhar vielas, construir pontes e deixar o âmago expandir em
descobertas de si.
Quantas paisagens belas se descortinaram,
momentos percebidos com olhos da ilusão e que, momentaneamente, me fizeram
feliz. Se valeram a pena? Sim, todos fizeram parte do meu percurso de aprendizagem.
Várias telas foram pintadas, nas cores possíveis de
cada fase, e que estão registradas no meu templo. Neste ir e vir me reconstruo
e quando me olho no espelho reconheço partes do que fui, do que estou sendo e
busco nos sonhos fontes de inspiração para que o prazer da vida não me abandone.