terça-feira, 28 de julho de 2026

Namoro oculto

 


Poetando


Namoro oculto


Sendo rocha à beira mar
Sinto seus leves
E os fortes impactos
do preamar.

São muitas as fendas
a me esculpir
E me transformar
Sou do dia e da noite

Brilho com a luz solar e do luar. 
Atraio seu olhar.
Mas me oculto
No subir da maré.

Como é antigo 
Este namorar!

 Norma Emiliano



Minha alegria é lhe encontrar aqui. 

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Envelhecimento

 




Envelhecência

"a transição da vida adulta para a velhice: um Termo cunhado por Manoel Tosta Berlinck






Em 2015, foi lançado o documentário Envelhecência - Um novo olhar sobre o envelhecimento, sob a direção de Gabriel Martinez. È um relato da história de seis pessoas que vivem de forma plena que mostram através das suas experiências que se pode viver após os 60 com muitas atividades e com humor.

Em “A Velhice” (1970),  Simone de Beauvoir aponta que os idosos podem viver esse período com autonomia, liberdade e sentido, desde que o mundo os reconheça como sujeito ativo, o que exige uma transformação radical em toda a estrutura social.

Por outro lado, os estereótipos em relação à velhice (apatia, implicância, tristeza, entre outros) comprometem a qualidade de vida. 

O filme Chega de saudade, (2008) de Laís Bodanzky, traz como contexto o baile da terceira idade. Aborda o amor, a solidão, a traição e o desejo que envolvem a vida do ser humano e deixa como mensagem a importância do viver o aqui e agora, do abandono dos fantasmas do passado e do seguir dançando conforme a música. Aceitar-se e reconhecer habilidades e limitações, independentemente da idade.

Estou nesta fase, aos 77 anos. Sou grata à vida, mas não há como considerar como a melhor idade, pois reconheço as limitações que vão chegando e procurando me adaptar física e emocionalmente.

Considero, como Adélia Prado, que "A poesia é a revelação do real. Experimentar a poesia é experimentar o real, o que de fato é. Ela é desveladora da realidade, ela permite a você a desmistificação da vida."

Assim, finalizo este texto, que considero reflexivo, com a poesia recém criada por mim.


Desapego

O sol amanhece
Os olhos despertam
Com o aperto do peito
Imerso na escuridão.
 
Pelas janelas a luminosidade
Que clama vida!
E o corpo inerte
No choro contido.
 
Ah!  juventude esmaecida.
Aceita- la é firmeza
Da sabedoria do bem-viver
Nada adianta o desencanto.
 
A menina dos olhos
Colhe o novo dia
Abre as asas dos sonhos
E segue o rumo da vida.
 
Norma Emiliano



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terça-feira, 30 de junho de 2026

A arte poética- Com Sophia M B Andresen

 

                                Fonte

Arte Poética


"Todo o poeta, todo o artista é artesão de uma linguagem. {...}O artesanato das artes poéticas nasce da própria poesia a qual está consubstancialmente unido. {...}E no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida".

 "A poesia é a minha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens".

  Sophia de Mello Breyner Andresen, do livro Coral e outros poemas.

 

Bússola da vida


Sou como rio

Fluo pela vida

transponho as pedras

E tenho as margens

Como companheiras.


Amo o mar
Ouço seus sussurros
Respeito suas marés 
E mergulho em mim.

No horizonte, o infinito
Na vida tudo é  finito
No passado, meu solo
No agora me entrego.


Amo a vida
Amo minha familia
Valorizo meus laços 
E me amo.

Os dias passam 
O tempo escoa
O que permanece
São memórias em vida. 

O amor é  meu porto

Os chamados meu norte

As interações, gestos amorosos e

a natureza nutrem  meu corpo e alma.

Transcendendo a  poética do viver.


Norma Emiliano



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segunda-feira, 8 de junho de 2026

 

Proseando


Quando me revisito encontro lugares que me confortam e me colocam no prumo do tempo. Vida longa, possibilidade de percorrer mais estradas, vasculhar vielas, construir pontes e deixar o âmago expandir em descobertas de si.

Quantas paisagens belas se descortinaram, momentos percebidos com olhos da ilusão e que, momentaneamente, me fizeram feliz. Se valeram a pena? Sim, todos fizeram parte do meu percurso de aprendizagem.

Várias telas foram pintadas, nas cores possíveis de cada fase, e que estão registradas no meu templo. Neste ir e vir me reconstruo e quando me olho no espelho reconheço partes do que fui, do que estou sendo e busco nos sonhos fontes de inspiração para que o prazer da vida não me abandone.


Norma Emiliano



segunda-feira, 13 de abril de 2026

Como se fossem brisas

Num trajeto normal do meu cotidiano, sem qualquer intenção, compartilhei recortes de vida.

Sentada ao meu lado, observei que havia uma senhora, de sessenta e seis anos, que me olhava de soslaio. Num certo momento, começa a me contar sobre a perda e clausura de uma amiga pela morte do marido. Fala do sofrimento e recuperação da amiga, após uma sessão espírita, na qual o marido lhe deixara uma mensagem: estava bem e desejava que ela jogasse ao mar suas cinzas, desfizesse-se de seus pertences e seguisse a sua vida. Num impulso, desejo perguntar – lhe por que me conta essas histórias. Mas, calo-me.

Percebo seu contentamento ao relatar que a encontrara ótima. Mudou de residência, afastou – se da dependência dos filhos.

Hoje, tem amigas, faz ginástica e sai para dançar. Entrelaçando – se ao relato, revela que vai fazer o mesmo em relação a sua mãe. 

Vai dar os seus pertences, guardar os seus retratos. Levanta – se para saltar, ainda, referindo – se a certos compromissos que tinha que resolver para o pai.

Na sua saída, um senhor, de mais de setenta anos, pede licença para  sentar – se. Desculpa – se por me incomodar, mas diz "que vale a pena pelo prazer de sentar-se ao lado de tão simpática companhia",

Olho – o e vejo seu largo sorriso. Mal agradeço a sua gentileza, começa  a falar do seu atribulado dia. Tinha ido ao Rio resolver alguns problemas  e nada conseguira, mas que não ia deixar de sorrir por esse fato.

Percebo seu desejo de entabular uma conversa, respondo rapidamente sua pergunta sobre meu local de residência, mas despeço – me por ter chegado ao meu rumo.

Acabara a viagem e ficaram – me as imagens dessas pessoas: dois idosos: uma mulher e um homem que tiraram – me da rotina do percurso. Trouxeram–me para suas vidas e arejaram com suas histórias o meu enredo matutino.

Norma Emiliano